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Portão 7

Revista P7

Personagem

Natalia Thais Alves

Uma vida de saltos e rodopios sobre rodas 

“Nascida” no São Paulo Futebol Clube, Natalia Thais Alves, patinadora de 28 anos de idade, contou à revista Portão7, um pouquinho do mundo da Patinação Artística e os segredos que a levaram a persistir em uma modalidade não olímpica, até atingir o alto rendimento.

Quando ingressou e por que optou pela Patinação Artística?
Coloquei os patins nos pés pela primeira vez aos dois anos de idade. A minha mãe praticava Tênis, nas quadras próximas ao local onde treinavam os patinadores, e eu, como fui uma criança muito agitada, não conseguia ficar sentadinha, assistindo. Corria para o ginásio para ver os saltos, rodopios e toda aquela agilidade dos atletas... aquilo me encantava.

Quais títulos já conquistou pelo SPFC?
Bom, são muitos anos na modalidade! Em competições estaduais tenho 10 medalhas de ouro, 15 de prata e 30 de bronze. Em Brasileiros, tenho dois títulos de campeã, 10 vice-campeonatos e 12 bronzes. E fora isso, conquistei títulos regionais e torneios, que não contabilizo, mas que não deixam de ter importância para mim.

E dessas tantas vitórias, você consegue destacar uma, que considera a mais importante?
Para mim, a conquista do Brasileiro de Santa Cruz do Sul, em 2005, teve um sabor muito especial. Lá eu fui oficialmente convocada, pela primeira vez, para a disputa de um campeonato mundial. Naquele ano, seria na Itália.

Já pensou em desistir?
Acho que todo o atleta de alto rendimento, em algum momento, pensa em desistir. É normal e comigo não foi diferente. Ainda me lembro do quanto eu ficava nervosa nas competições e como isso atrapalhava a minha performance. Com o tempo e a vivência, aprendi a administrar esse sentimento. Em cada derrota ou insucesso, passei a enxergar o que havia dado errado e onde eu deveria trabalhar para melhorar para a próxima disputa.

O que “patinar” significa para a Natalia?
Patinar é superar medos! É o momento em que tenho que lidar com a minha mente, de maneira extremamente focada. É tentar, cair, levantar, repetir e repetir, quantas vezes forem necessárias. E conseguir executar um movimento, não é suficiente. Sempre é possível aperfeiçoá-lo.

O que te motiva?
Acho que ver as pequeninas é o que me mais me motiva. Elas me fazem olhar para o caminho percorrido e me lembram como tudo parecia tão difícil, no início.

Quais as principais dificuldades de uma patinadora?
As principais dificuldades são a falta de apoio do governo e o fato de que se trata de uma modalidade desconhecida e de alto custo para os praticantes. Os equipamentos são bastante caros.

Quais as provas que compete e qual a que mais gosta? E em quem se inspira?
Eu faço três modalidades: o Livre, Figuras Obrigatórias e Open Loops. A que mais gosto é o Livre, que é uma coreografia com movimentos de dança, com elementos obrigatórios, que incluem saltos e giros. Me espelho na minha técnica, Karen Magro, pois ela patina até hoje e, sempre que a vejo, observo a execução dos elementos e tiro algum aprendizado.

Como é a sua rotina?
Eu trabalho, faço meus exercícios de suporte, como musculação, funcional e calistenia, e treino três vezes por semana.

Considera-se uma atleta realizada?
No geral, consegui grandes feitos e realizei os meus sonhos, o que considero mais importante. Fui para grandes e importantes competições, conquistei títulos que eu nem imaginava que fossem possíveis. Acho que sou realizada, sim!

O que o clube representa para você?
O SPFC é a minha casa esportiva! Foi onde cresci... pratiquei de tudo, fui do judô ao ballet, e me encontrei na patinação.

Um recado para quem está iniciando na Patinação:
Vocês irão cair e levantar, muitas vezes. Há muitos obstáculos a serem superados, mas o importante é patinar com amor! Dedique-se e pratique muito! É a única forma de evolução no esporte.