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Orica Miyaji

FREQUENTADORA ASSÍDUA DAS PISCINAS, ATLETA MÁSTER AINDA FAZ HISTÓRIA PELA NATAÇÃO TRICOLOR

Exemplo de dedicação e disciplina dentro e fora das piscinas, a associada integrante da equipe máster de Natação Orica Miyaji conversou com a revista Portão7 e contou um pouquinho de sua história de amor ao São Paulo Futebol Clube. Aos 71 anos de idade, a experiente nadadora revelou também a importância da identificação com a modalidade, o que fez com que a atividade física passasse a ser muito mais do que um compromisso: uma atividade prazerosa e terapêutica.

Por que escolheu o São Paulo Futebol Clube?
Sou moradora da região. Então, a localidade foi um fator decisivo. Em 5 minutinhos estou no clube. Hoje, um pouco mais, por conta do trânsito, mas antigamente era muito rápido. 

Quais as modalidades que pratica?
Antes de pegar firme na Natação, participava de muitas atividades da Ginástica Feminina. Fiz de tudo, Ginástica Localizada, danças em geral. Acho que só não cheguei a fazer a Dança do Ventre. Mas depois que surgiu a piscina aquecida, optei por me dedicar apenas à água.

Há quanto tempo pratica Natação? 
Nadava por conta. Meus filhos começaram a nadar e isso me despertou a vontade. Eu devia ter uns 30 e poucos anos. Na equipe máster de treinamento, estou há menos tempo. Depois que a Adriana (técnica) entrou, foi que eu melhorei muito! Ela é muito competente! Até a posição dos dedinhos ela conserta: “Fecha mais! Abre mais!”.

O que motivou e/ou influenciou na escolha da modalidade? Algum ídolo ou família?
A minha motivação era que eu adorava entrar na água. Quando meus filhos eram pequenos, nos mudamos para as margens do Rio Paranapanema, para a construção da Usina Hidrelétrica de Capivara. Lá foi que aprendi a gostar. Quando voltamos a residir em São Paulo, decidi que não queria mais sair da água e quando entrei na piscina, pensei “Ah, é aqui mesmo que eu vou ficar!”.

Como é a sua rotina?
Treino de terça a sexta-feira, e também aos domingos. Às 6h30 já estou por aqui. Em média, nado dois mil metros por dia. Às terças e quintas, faço musculação em casa e, às quartas e sextas, complemento com aula de alongamento. Levo uma vida saudável, mas confesso que já fui um pouco melhor nisso (rs...). Chega uma certa idade que o organismo não aceita mais algumas coisas. Não podemos comer muito e por isso, como pouquinho, muitas vezes ao dia.

Tem familiares que frequentam o clube? Eles apoiam essa sua rotina?
Meu marido vem sempre para a Ginástica Masculina. Meus filhos, quando solteiros, vinham bastante, mas hoje, tenho apenas um filho que ainda frequenta com a família. Meu neto de 16 anos pratica muitas modalidades, mas se identifica mais com o Tênis.
Acho que todos gostam de me ver nas atividades. Meus três filhos nadam, a nora, o genro e todos os netos também fazem atividades físicas regulares. A família inteira é de esportistas. 

Já conquistou muitos títulos? Algum especial? Conte um pouco sobre a preparação para as disputas.
Tenho muitas medalhas! Já venci muitas competições! Quanto ao treinamento, a maioria das provas que disputamos, são circuitos e nós temos treinos específicos para as provas. Uma vitória muito importante e que teve um gostinho especial para mim, foi na Copa Vermelhinha, que eu peguei o melhor índice técnico nos 50m livre. Ai, eu fiquei muito feliz, porque era uma coisa que eu não esperava! Foi muito especial!

Quais as provas que costuma disputar? Qual a que mais gosta?
Fazemos provas de revezamento, que são as mais legais. Também já fiz travessias, mas depois que machuquei o ombro (2008), deixei de participar. No início de 2015, depois de sete anos, voltei a fazer uma prova em águas abertas e foi muito gostoso! Mas prefiro a piscina, tem os integrantes da minha equipe e conversamos bastante... a minha praia é a piscina! (rs...)
 
Como é a equipe máster do São Paulo Futebol Clube?
É bem diversificada! A minha turma vai dos 30 aos 85 anos de idade. Antigamente, as coisas eram mais difíceis e a equipe era muito maior. Defendíamos as cores do clube! Hoje, são poucos os que vestem realmente a camisa e defendem o nosso São Paulo!

Já passou por algum momento difícil na vida de atleta?
A lesão no ombro me afastou da piscina por aproximadamente seis meses. Foi muito ruim! O corpo doía por inteiro e eu fazia apenas a fisioterapia. Mas consegui voltar e a minha técnica, Adriana, que também foi nadadora, me ajudou muito! Ela sabia o que tinha de ser feito. No início eu ia só com as pernas, aos poucos, fomos introduzindo os braços de leve. Foi ela, praticamente, quem me recuperou.

O que o clube significa para você?
É tudo para mim. Sempre digo que se não fosse o clube, provavelmente, eu estaria em uma cadeira de rodas. Aqui tenho amigos que me motivam e o meu grupo que está aqui todas as manhãs. Em 2012, fomos em sete mulheres para a Disney! Todas com a camiseta da Natação! E foi a primeira vez que todas nós viajamos sozinhas, sem as famílias. Passamos 20 dias deliciosos!

Um conselho para as crianças que se identificam com a modalidade:
Continuem a nadar, porque estar na água é muito gostoso! Os jovens, quando atingem certa idade, acabam se afastando do esporte, por conta de horários de estudos, faculdade e trabalho. Mas recomendo que, sempre que tiverem um tempinho,
nadem! Faz muito bem para a cabeça!