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Matéria de Capa

FAVA 15 anos

Alheio à política, com muita amizade, cumplicidade e reunindo aposentados, o FAVA é acolhedor e sempre cabe mais um. Com deliciosos almoços e com craques em campo, sendo que todos se consideram os melhores, o grupo cativa admiradores e adeptos há 15 anos. 

Tudo começou em 2000, quando amigos recém aposentados se reuniam para caminhar ou fazer aula de ginástica masculina, visando fazer atividade física no São Paulo FC. Porém, todos nutriam uma vontade em comum, jogar futebol sem compromisso durante a semana. E foi numa mesa de bar o primeiro combinado: “Terça-feira, pela manhã, no Futebol Social”. De início, ainda sem muito quórum, muitas vezes apareciam três, quatro atletas, que mesmo em pouco número, não deixavam de bater bola. Em seguida, partiam para um restaurante próximo, na região do Morumbi. O tempo foi passando e os amigos dos amigos já eram frequentadores fiéis, totalizando 12. O grupo já era digno de nome e camisas para diferenciar os times no rachão. Foi quando Antônio Ronaldo Gomes, o Carioca, sugeriu o nome FAVA – Futebol dos Aposentados, Vagabundos e Anônimos, afinal, para estar no clube pela manhã e emendar em um longo almoço, só tendo um desses status. 

E foi com esses 12 amigos, fundadores, Álvaro do Vale Pereira, Antônio Acras, Antônio Campos Neto, Antônio Maciel Filho, Antônio Ronaldo da Silva Gomes (Carioca), Douglas Valverde, Geraldo Salvi, José Acras, Luiz Roberto Ferreira
Lobo, Mário Lorenço, Paulo Nascimento de Godoy e Rubens Antônio Moreno, que nasceu oficialmente o FAVA. Como a turma aumentou, e também visando maior liberdade de tempo e segurança, nada melhor que almoçar no próprio clube. Com isso, Rubens Moreno foi eleito para fazer as compras no mercado, açougue, sacolão e padaria. Em seguida, deixava tudo no Recanto para que, após a pelada, fosse cuidadosamente temperado e colocado na brasa para assar.

As terças-feiras já não eram suficientes para o grupo, que a cada semana aumentava. Então foi eleita a sexta-feira como o segundo dia da semana para frequentarem sagradamente o clube. A churrasqueira foi trocada pelo fogão, e a cada semana grandes cozinheiros do grupo se revelam com deliciosos pratos e petiscos para todos. No FAVA todos são iguais, todos colaboram da forma e quando podem. Há apenas algumas regras que não podem ser infringidas: Todos rateiam
os valores do almoço. Esse valor só pode ser pago em dinheiro, sem fiado. Ninguém senta à mesa sem camisa, respeitando os demais. Não se fala, muito menos se briga, por política, seja do clube ou de fora dele. E, por fim, nunca teve e nem terá estatuto ou regulamentos.  Talvez seja esse o segredo do sucesso. O FAVA recebe sempre muito bem os novos adeptos, que ficam cativados com o clima leve e alegre e não deixam mais de participar semanalmente.

A FESTA
A noite de 27 de março de 2015 será lembrada por muito tempo no São Paulo Futebol Clube. Em festa grandiosa, para quase 400 pessoas, no Salão de Festas, não faltou animação, casais dançando na pista durante a madrugada e um delicioso jantar. Além disso, nada mais justo que, para comemorar os 15 anos, lembrar daqueles que foram fundamentais para a existência do grupo de Futebol dos Aposentados, Vagabundos e Autônomos (FAVA), como se autodenominam. Em breve homenagem, os 12 fundadores foram citados e receberam medalhas  e troféus. Os mais de 100 colaboradores da história do FAVA, participando ativamente, foram condecorados com medalhas especialmente feitas para a comemoração. Os membros já falecidos foram homenageados In Memorian, e muito bem representados por suas famílias. Os funcionários que ajudam o FAVA semanalmente também foram lembrados. Para fechar a cerimônia, a bandeira do FAVA entrou no salão, sendo levada por seus membros mais antigos, e fixada no salão. Um lindo bolo foi cortado para comemorar o debut, em meio ao caloroso parabéns, e o hino Tricolor foi executado.

CAUSOS
Histórias não faltam nesses 15 anos de amizade e parceria. Questionados sobre “causos”, antes mesmo de contar, todos já se entreolham e riem. Em um dos encontros mensais para comemorar os aniversariantes, os cozinheiros estavam preparados para receber 50 pessoas para o almoço. Porém, após anúncio e convite ser espalhado em grupos do clube, apareceram mais de 120 convidados. Como o início do texto já diz, o FAVA é sempre acolhedor. Medidas emergenciais foram tomadas e os alimentos divididos. Mas, para deixar a situação ainda mais complicada, uma das panelas que fervia carne no molho, virou no chão da cozinha. Mediante a situação, o conteúdo da panela foi novamente colocado no fogão. “O que os olhos não veem, o coração não sente. Ao ferver novamente, fica 100%, e todos passam muito bem até o hoje”, brincaram ao contar. Em uma das viagens mais recentes que fizeram para um hotel fazenda em Poços de Caldas, ao adentrarem ao refeitório, perceberam que dividiam o espaço com cachorros, galinhas e gados. Mesmo diante da cena inusitada, fizeram a refeição. Ao saíram, se depararam com a placa na porta: “Proibida a entrada de animais”. A situação ainda é motivo de divertimento para os favianos. Segundo relatos, as piores brigas são por bobagens, que acabam virando piada em poucos minutos. Em uma delas, em meio a um fervoroso e ríspido diálogo, a discussão terminou com um membro mandando o outro para o Zimbábue, gerando risos e finalizando qualquer discussão. Quer conhecer mais do FAVA? Todas as terças e sextas-feiras, as atividades se resumem ao futebol no campo Social, pela manhã, e posteriormente um almoço, no Recanto.